História

Da vinha do clero ao Encostas de Lafões

A Quinta do Rebelo, em Santa Cruz da Trapa, guarda um valioso património milenar, da época romana e medieval até aos dias de hoje.

Vinha da Quinta do Rebelo, região de Lafões

A vinha e o clero

Na Idade Média, a vinha foi essencialmente desenvolvida pelo clero. Foram os religiosos que expandiram a cultura e aperfeiçoaram as melhores técnicas agrícolas, dando-as depois a conhecer às populações rurais.

O antigo concelho de Santa Cruz da Trapa, onde se localiza a Quinta do Rebelo, foi extinto em 1836, quando o Conselho de Lafões se desmembrou nos concelhos de São Pedro do Sul e Vouzela. O património da região, porém, permaneceu.

Espigueiro tradicional da Quinta do Rebelo
Espigueiro tradicional da Quinta do Rebelo

Dom Rebelo e as castas históricas

Foi a partir da segunda metade do século XIX, após o aparecimento da filoxera e do míldio, que a região de Lafões conheceu grande desenvolvimento. Com a astúcia de figuras ligadas ao clero, assim se posicionou a Quinta do Rebelo: os registos escritos, os utensílios e o material vinário provam que ali se produziam vinhos de excelente qualidade.

O Padre José Rebelo, conhecido por Dom Rebelo, deixou referência a duas castas: o «Roupeiro ou Chapeludo», de uvas brancas, e a dita «Amaral», de uvas tintas. Davam origem a dois vinhos de características especiais que, bebidos frescos, os consumidores elegiam como a sua bebida de eleição.

Prensa de vara antiga para espremer bagaço, Quinta do Rebelo
Prensa de vara antiga para espremer bagaço, Quinta do Rebelo

O presente

Fazendo jus ao historial vitivinícola da Quinta do Rebelo, detentora da Denominação de Origem, o atual proprietário dedicou anos a estudos, recolha de dados e pesquisa de material genético autêntico. O resultado é um branco que não desvirtua as características organolépticas de sempre, o mais próximo do genuíno vinho da extinta Adega Cooperativa.

Hoje a exploração está quase toda plantada com castas brancas, e o objetivo é reconverter praticamente toda a produção para vinho branco: são elas que têm o poder diferenciador em Lafões. Com o encerramento da Adega Cooperativa, o produtor investiu num espaço próprio de vinificação e engarrafamento, garantindo o futuro da exploração.

Garrafa de Encostas de Lafões na adega
Garrafa de Encostas de Lafões na adega
Vinha da Quinta do Rebelo nas encostas de Lafões

Onde chega uma garrafa do Encostas de Lafões, chega também o nome de Santa Cruz da Trapa, de São Pedro do Sul e da região de Lafões.

Eng.º António Lopes Ribeiro, na vinha da Quinta do Rebelo

A história continua no copo

Dois copos de vinho branco sobre uma mesa ao sol